quinta-feira, 17 de março de 2011

Resgate da identidade Franciscano-Capuchinha

Do dia 17 a 29 de janeiro, cerca de cinquenta frades capuchinhos, representando todas as circunscrições do Brasil e também dois frades vindos da Custódia do Paraguai, se reuniram em Hidrolândia, Goiás, para o curso de formadores capuchinhos, promovido pela CCB (Conferência dos Capuchinhos do Brasil). Da nossa Província, participaram Fr. Denílson Spironello e Fr. Marcelo Toyansk. O curso se caracterizou por um clima fraterno, de muita partilha em grupos, oração e reflexão.
Inicialmente vimos a realidade da Formação Inicial de todas as circunscrições presentes, semelhanças e desafios das várias etapas da Formação Inicial. O curso também se inspirou na Carta do Ministro Geral, Fr. Mauro Jöhri, “Reacendamos a cha-ma do nosso carisma”, que lança a toda a Ordem forte apelo de renovação e busca de uma vivência mais radical e coerente do nosso carisma. Para tanto, o Ministro Geral partiu de rever a Formação Inicial em toda a Ordem. Esse tema foi-nos apre-sentado pelo custódio do Paraguai, Fr. Mariosvaldo Florentino, durante três dias, despertando em todos uma nova forma de ver todo o processo da Formação Inicial da vida capuchinha, partindo da iniciação cristã. Essa novidade é apresentada pelo próprio Ministro Geral em sua Carta, concebendo que a Formação Inicial deve ser vista em analogia à iniciação cristã!

Isso foi colocado como uma grande inovação a ser empreendida por toda a Ordem. Pois percebendo as várias incoerências na vivência do nosso carisma, o Ministro Geral resgata um termo que consta em nossas Constituições, mas que fora pouco entendido e explorado, o de ser necessário uma “iniciação” à nossa vida em seus vários aspectos (contemplação, fraternidade em minoridade, convivência com os pobres, constante renovação/penitência...). Tal iniciação deve ser entendida em analogia à iniciação cristã, resgatada pela Igreja nos últimos decênios, com as características de um catecumenato (conversão), com “provações”, experimentação progressiva, “escrutínios” (avaliação constatada com renúncias e avanços práticos), coerência no processo, adesão com vivência concreta dos valores, e depois com um tempo mistagógico, de amadurecimento e melhor entendimento da vida abraçada, contando sempre com a presença testemunhal da comunidade (Fraternidade). Isso diverge muito de simples reflexões e palestras como a base de uma formação e iniciação à nossa vida, o que é visto muitas vezes entre nós. 

Frei Denilson e  Frei Marcelo
  Percebemos que esse modo de ver a formação, como iniciação progressiva, vivencial e que contempla a realidade pessoal de cada vocacionado e formando, é inovador, coerente e pertinente inclusive aos frades de votos perpétuos. Pois não deixou de ser nítido que as contradições nas estruturas e vivência das Províncias afetam diretamente aos que entram à nossa vida. Seguindo a essa reflexão profunda, Frei Eldir Pereira, da Província do Pará-Amapá-Maranhão, expôs um resgate da iden-tidade franciscana durante dois dias, e depois Frei Aldir Crócoli, do Rio Grande do Sul, expôs com uma visão histórica e prática a Reforma Capuchinha, de retorno às raízes do carisma francis-cano para o atualizarmos entre nós. Ressaltou o cari-sma de Francisco de Assis como um encarnar Jesus novamente, em consonância à vida dos pobres (à margem da sociedade) e dos leigos (à margem da Igreja).
Assim, depois de um dia de lazer em Caldas Novas, tivemos ainda dois dias de reflexão com Frei Faustino Paludo, também coordenador do curso, sobre o papel do formador (“iniciador”), da Fraternidade formativa, da realidade dos formandos, e outros pontos e desafios relacionados, partindo das reflexões dos dias anteriores. Por fim, os participantes do curso destacaram treze pontos como encaminhamentos das reflexões desses dias juntos, como da necessidade de se repassar o conteúdo às Províncias, rever os itinerários formativos, viabilizar a vivência dos valores do carisma, com vivências com os pobres ou mesmo tempos de deserto, evitando que o Pós-Noviciado se reduza aos estudos acadêmicos, resgatando o simbólico e vivencial da mística franciscana, atenção maior aos neo-professos, entre outros. Foi avaliado muito positivamente o curso, sendo finalizado com a Eucaristia e o almoço no dia 29, mas ainda seguido de uma reunião no restante do dia entre os secretários da Formação Inicial para encaminhar a segunda etapa do curso, que será de 16 a 28 de janeiro de 2012.

Frei Marcelo Toyansk

Um comentário:

  1. Vem espírito Santo e reascende a chama que se apagou.

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