quarta-feira, 16 de junho de 2010

João

“Servo e amigo do Altíssimo, Francisco recebeu esse nome por providência divina, para que, por sua singular originalidade, mais rapidamente se difundisse por todo o mundo o conhecimento de sua missão. Recebeu de sua mãe o nome de João quando deixou de ser filho da ira para ser filho da graça, ao renascer da água e do Espírito Santo.

[...] Por isso o nome João convém à missão que recebeu, mas Francisco convinha melhor à difusão de sua fama que, quando ele se voltou plenamente a Deus, chegou rapidamente a toda parte.

Para ele a festa mais importante entre as de todos os santos era a de São João Batista, cujo nome insigne o havia marcado com uma força mística.

Entre os nascidos de mulher não apareceu nenhum maior do que o primeiro (cfr. Mt 11,11); entre os fundadores de Ordens não houve nenhum mais perfeito do que este.

[...] João profetizou fechado no segredo do seio materno. Francisco predisse o futuro no cárcere do mundo, quando ainda desconhecia os planos de Deus.” (2ª Celano Capítulo 1)

João, filho de Isabel e Zacarias, sacerdote do templo de Jerusalém. João (mais tarde, Francisco), filho de dona Pica e Pedro Bernardone, ricos comerciantes da cidade de Assis, Itália. Nomes iguais, pessoas diferentes que viveram em épocas muito distantes uma da outra mas com um único amor: Jesus Cristo.


João Batista anuncia o Messias, filho de Deus que se faz carne e habita entre nós para realizar o projeto de salvação do Pai, morrendo na cruz e ressuscitando. Da ressurreição de Jesus nasce a Igreja, sua esposa.

Com o passar dos anos, a esposa perde-se pelo caminho e se esquece das palavras de Jesus. Mais uma vez, o amor do Pai se une a Terra e nasce Francisco, a luz que vem para dissipar as trevas que cegam a amada de Cristo, trazendo-a assim de volta para o caminho da salvação.


João Batista que anuncia o Messias é voz que clama no deserto, denuncia o mal e nos aponta o Cordeiro de Deus. Francisco profetiza o Reino pelas ruas com seus irmãos pelo sorriso, pelo abraço, pela alegria e pelo modo de viver segundo o Evangelho de Jesus Cristo.

Que João Batista e Francisco nos sirvam de modelo de denúncia e seguimento para que um dia, como irmãos, possamos finalmente dizer: “Vem Senhor Jesus, vem”.

Postulante Capuchinho Benedito de Souza Bonfim-Piracicaba/SP.

8 comentários:

  1. Belo texto Benedito. Todos os cristãos têm que ser um pouco João Batista, anunciando o Salvador nos lugares ainda seu Evangelho e sua Luz não chegaram. E isto, nosso Irmão Francisco fez muito bem. Que, contando com a intercessão de São João Batista, caminhemos "aplainando o caminho do Senhor"

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  2. Belo texto, Benedito! Muito interessante a ligação entre João Batista e Francisco! Que Deus o abençoe em sua caminhada. Também São Bento tinha João Batista como modelo e intercessor dos monges, pois manda erguer um altar em sua Igreja dedicado ao Precursor do Senhor. O hino gregoriano de São João Batista dá origem à musica moderna, pois seus versos começam com as notas musicais que lhe dão o nome: do, re, mi...
    Um grande abraço do irmão em Cristo, na vida religiosa e em Queluz, Gregório, osb

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  3. Frei Rafael Donizete17 de junho de 2010 11:26

    O nascimento de cada nova vida humana denota o amor, a paciência de de Deus para conosco, sinal maior deu-se quando ele mesmo assume a nossa carne, a nossa finitude, para nos revelar o nosso modo adequado de proceder seguindo seus passos, colocando a vida em primeiro lugar... Francisco viveu no seu tempo determinado esse seguimento, que nós hoje, na pós modernidade, somos chamados a cada dia a dar também nossa resposta, que é profética, e por isso se compõe de anúncio, denúncia e renúncia, o que nos irmana igualmente a João em seu tempo. Parabéns Benedito pelo seu artigo.

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  4. Gostei de ver... belo texto! Enquanto não estiver plenamente instaurado o Reinado de Deus, precisaremos de tnatos outros profetas como João Batista, com coragem de anunciar e denunciar, e como Francisco, apaixonado pelo Cristo!
    Parabêns Benedito, é isso aí!

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  5. Gostei muito de seu texto Benedito. Eis um capuchinho com DNA de Queluz. O amor dos queluzenses por São João é palpável. Continuemos a preparar os caminhos do Senhor!!

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  6. Quero expressar minha admiração pelo artigo que, além de ser poético, é um texto agrádavel e nos proporciona uma profunda reflexão sobre a missão de dois santos que, embora sejam de épocas diferentes, nos apontaram o grandioso tesouro: Jesus Cristo...
    Parabéns Benê!!!!!!!!!!!!
    Que São Francisco e São João intercedam por nós...

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  7. E viva João Batista, viva o precursor...
    É hoje... e só queria lembrar que já ultrapassamos as 3000 visitas!!!
    Parabens para nós!

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  8. Ramires Karamázov25 de junho de 2010 01:06

    Benê!!! Escrever é o mesmo que brincar. Todo escritor é um menestrel verbal, pois brinca com as posições das palavras e as transformam em vida, em música, e como tais possuem poderes mágicos, semelhantes aos da flauta do flautista de Hamelin.
    As palavras se transformam em vida, e isso está de acordo com a Teologia Cristã. “Para comer meus próprios semelhantes, eis-me sentado à mesa”, escreveu Augusto dos Anjos. Escrever e ler antropofagicamente é o que queremos. Nietzsche sentia o mesmo e disse “de todo o escrito só me agrada aquilo que uma pessoa escreve com o sangue. Escreve com sangue e aprenderás que o sangue é espírito”. Como na Eucaristia! A Eucaristia é um ritual antropofágico, porque “esse pão é o meu corpo; esse vinho é o meu sangue. Comei e bebei”. Literatura é isso, o que corrobora com a teologia do evangelho de João, que afirma que a Palavra é igual à Carne.
    Parabéns pelo seu texto e isso aí pessoal, vamos divulgar o nosso blog pois já passamos dos 3000 acessos.

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