sábado, 3 de abril de 2010

A Páscoa que acontece em nossas vidas.



“Canto a Cristo que me libertará quando chegar glorioso.
Então a vida com Ele renascerá aleluia, aleluia.
Canto a Cristo que um dia voltará,
Festa para os seus amigos!
Festa de um mundo que já não morrerá,
Aleluia, aleluia”.

À luz do Mistério Pascal, a caminhada no mundo criado por Deus, muitas vezes marcado pelo mal e na busca da libertação integral, devemos interrogar-nos: Como estamos sendo esse sinal de Ressurreição para todos?

O batismo nos insere no mistério de Cristo morto e ressuscitado. Cada batizado é chamado a seguir Jesus Cristo e a conformar a própria vida a dele, caminhando sempre na novidade de vida (cf. Rm 6,4). Celebrar o mistério de Cristo é celebrar Cristo em nossas vidas e nossa vida em Cristo.

Creio que nós, como batizados, como parte do corpo místico de Cristo, vivemos e entendemos como processo pascal, caminhada pascal, vida pascal no Cristo e no Espírito Santo. Nossa Páscoa é fruto da Páscoa de Cristo. Nela Deus interveio definitivamente na história, derrotando as forças da morte e libertando-nos com seu Filho, que se fez um de nós, solidário nas alegrias e nas tristezas.

A experiência íntima com o Cristo pascal, cresce, desenvolve-se e consolida-se, participando da eucaristia, na qual, cada batizado une-se com Cristo na oferta da própria vida ao Pai mediante o Espírito.

A vida cristã é fundamentalmente vida em Cristo pelo dom do Espírito, fruto da Páscoa. Ser espiritual significa viver segundo o Espírito de Deus. A espiritualidade tem uma íntima relação com tudo o que somos e fazemos, segundo o Espírito. O Espírito acende em nós o amor, a paixão por Jesus Cristo e nos leva a pautar toda a nossa vida pela intimidade com ele. A espiritualidade cristã, que é o seguimento de Jesus, alimenta-se de uma verdadeira paixão por Ele, de uma amizade singular, de uma compenetração intimíssima, comunhão plena.

Embora vivamos em tudo segundo o Espírito de Deus, podemos ter momentos específicos para alimentar a vida espiritual. De acordo com a tradição mais antiga da Igreja, a vida espiritual é ancorada na participação da liturgia. Na liturgia, o tempo cronológico é transformado em tempo de Deus – Kairológico. Tempo da ação de Deus, que sempre agiu em favor do seu povo. Ao fazermos memória da páscoa do Senhor, participamos de seu mistério de morte e ressurreição. Em outras palavras, fazer a memória do Cristo é participar; é entrar em comunhão com o seu corpo tornar um só corpo com Ele e com os irmãos; é participar do seu destino; é participar da ressurreição na vida que brota da sua entrega.

Quando nos reunimos para celebrar o mistério de Cristo, Ele mesmo, por seu Espírito, vai moldando-nos à sua estatura, porque assume nossa vida em seu mistério (cf. At 20,7-12). O caminho de configuração com Cristo se dá pouco a pouco, no itinerário pedagógico-espiritual que o ano litúrgico proporciona. Durante o ano litúrgico, que tem como eixo e fundamento a páscoa, vamos progressivamente inserindo-nos no mistério pascal de Jesus Cristo. “Trata-se da recriação do nosso eu, adquirindo a forma de Jesus Cristo ressuscitado, segundo o Espírito de Deus. É processo lento e sofrido, e ao mesmo tempo, alegre e esperançoso, que deverá durar até a nossa morte.

Perfazendo seu próprio caminho pascal, cada pessoa está, ao mesmo tempo, participando e colaborando na páscoa de todo o tecido social, de toda a realidade cósmica (Cf. Rm, 8, 18-25), até à plena comunhão, quando Deus será tudo em todos (Cf. 1Cor 15,28)”. A celebração litúrgica repercute na vida e a vida é celebrada. Celebração e vida estão intimamente ligadas. Como seguidores de Jesus Cristo, progressivamente, tornamo-nos uma só realidade com Ele. É um processo, como dissemos acima, que atinge todo o universo e que se dá concretamente no cotidiano da nossa história. Cristo, embora tenha passado pela morte, venceu-a. Nós também venceremos.

Estimados irmãos e irmãs. Comprometemo-nos em sair de nossa celebração com um espírito Pascal capaz de transformar todos os sinais de morte presentes em nosso meio. Que a alegria dos primeiros discípulos e o fervor das primeiras comunidades cristãs sejam também nossa alegria e nosso fervor! Que Maria Mãe do Ressuscitado, interceda por nós e nos faça verdadeiramente, um povo Pascal!

Oremos
Senhor que salvas o corpo da morte e a alma das trevas,
Recebe o louvor que ofereço do fundo deste corpo sacrificado, mas vivo.
Permite que esta carne corruptível te seja santa; que meu canto tímido te seja agradável.
E habitarei os teus altares para sempre; pois sou todo teu, de corpo e alma.
Que a benção de Deus Pai a paz de Jesus Cristo e a sabedoria do Espírito Santo nos renovem e nos transforme. Trazendo-nos a beleza e a alegria nesta festa da Ressurreição!
E que a graça, o amor e a paz nos acompanhem, hoje e sempre.

Amém, Aleluia.



Dado em Taubaté, junto ao Convento Santa Clara, no dia 03 de Abril, Sábado Santo do ano de 2010.
Pax et Bonun. Aleluia.


Desejo a todos uma Feliz e Santa Páscoa.

Frei Mauricio José Silva dos Anjos – OFMCap.

3 comentários:

  1. Gostei da sua reflexão... Ajudou-me a esclarecer algumas dúvidas acerca da festa Páscal.

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  2. Carlos de Prudente9 de abril de 2010 09:54

    "um espírito Pascal capaz de transformar todos os sinais de morte presentes em nosso meio."
    é isso aí, a mudança está em nossas mãos... precisamos, iluminados pelo ressuscitado, fazer nova todas as coisas...

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  3. Frei Maurício, parabêns... gostei muito da parte que o senhor diz que precisamos recriar nosso eu, adquirindo a forma de Jesus Ressuscitado, pelo Espírito de Deus!

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